Xícara Cheia, você é um?

Xícara cheia – Flávia Galindo

Flávia Galindo é professora de marketing da UFRRJ.

Preciso confessar que não levo o xícara cheia muito a sério, não porque ele seja uma possível fonte de conhecimento, mas porque ela acredita que não precisa de mais conhecimento. O xícara cheia é aquele que não pode aceitar um pouco mais de chá, pois corre o risco de transbordar conteúdo no pires, na bandeja, na mesa, no chão – e seria um desperdício jogar fora algo que ele já tem em profusão! O xícara cheia deve ficar imóvel, não importa que o seu chá se esfrie e se estrague, pois o chá do xícara cheia não precisa ser renovado. A xícara se encheu em um determinado momento da vida, e o xícara cheia quer que a realidade daquele momento perdure, sem mutações, na linha do tempo. Espaço e tempo se condicionam ao xícara cheia, e não o contrário. O xícara cheia tem muitas certezas, está seguro de muitas verdades da vida, e não abre espaço para novos ensinamentos e percepções. Não é que novos ensinamentos não cheguem até ele, é que ele se recusa a abrir espaço para o novo, pois ele já sabe tudo o que precisa saber. O xícara cheia parece não conhecer a noção de saber-fluxo de Pierre Lévy [1]. Ou se leu, não entendeu nada:“O que é preciso aprender não pode mais ser planejado nem precisamente definido com antecedência. (….) No lugar de uma representação em escalas lineares e paralelas, em pirâmides estruturadas em níveis (…) devemos preferir a imagem de espaços de conhecimento emergentes, abertos, contínuos, em fluxo, não lineares, se reorganizando de acordo com os objetivos ou os contextos, nos quais cada um ocupa uma posição singular e evolutiva”. (1999:158) Ele ignora a concepção de Rifkin [2], para quem o acesso é mais importante do que a propriedade nos dias atuais. Ignora o princípio formulado por Daniel Bell [3], que dá centralidade ao conhecimento como fonte de inovação. O xícara cheia ainda não percebeu a revolução que Castells [4] e Boltanski & Chiapello [5] enxergaram, e não compartilha da proposta de Douglas & Isherwood [6], na qual o ser humano individual não tem utilidade conceitual para retratar a sociedade já que as “teorias individualistas do conhecimento e do comportamento tiveram seus dias” (2009:108). Ao optar por ser xícara cheia, o sujeito faz a opção por um isolamento sabotador e perigoso, que amputa possibilidades de interação e crescimento, e despreza o legado filosófico, que considera o conhecimento uma jornada de construção coletiva.

Notas de rodapé: 1. Livro “Cibercultura” 2. Livro “A Era do Acesso”, de Jeremy Rikfin 3. Livro “O advento da sociedade pós-industrial – Uma tentativa de previsão social” 4. Livro “A sociedade em rede – A era da informação: economia, sociedade e cultura” 5. Livro “O novo espírito do capitalismo” 6. Livro “O mundo dos bens: para uma antropologia do consumo”

Flávia Galindo é doutoranda em Ciências Sociais, Profa. de Marketing na UFRRJ, pesquisa o consumo no grupo Estudos do Consumo e integra o Conselho Editorial da Revista Comunicação 360º. Pode ser encontrada no twitter @flaviagalindo.

Como os norte-americanos estão usando as redes sociais em seu dia a dia?

Imagem conceitual de balões

As redes sociais têm sido tema de discussão tanto na Academia quanto no mercado. Com a proposta de entender as consequências de seu uso na vida dos norte-americanos, o Pew Internet & America Life Project realizou o estudo ‘Social networking sites and our lives‘. Engajamento político e cívico, confiança nas amizades e impacto nas relações pessoais foram alguns dos temas que nortearam a pesquisa.

Muitos críticos alegam que sites como Facebook e Twitter, no fundo, acabam afastando as pessoas da ‘vida real’. Entretanto, dos 2.255 americanos entrevistados, apenas 9% alegaram não ter nenhum amigo para discutir assuntos importantes. Em 2008, essa fatia era de 12%. Em média, nos últimos anos, um em cada cinco americanos agregou um novo indivíduo ao seu círculo social.

Segundo a pesquisa, que aplicou questionários com pessoas de 18 anos ou mais, o número de usuários praticamente dobrou desde 2008. Atualmente, 59% dos usuários de internet disseram acessar pelo menos uma rede social. Há três anos, a fatia era de 34%. Ao mesmo tempo, essa população digital envelheceu, houve um aumento na média de idade que passou de 33 para 38 anos.

Ao mesmo tempo em que os usuários estão ficando mais maduros, estão se tornando mais engajados politicamente, segundo o estudo do Pew Research Center. É importante lembrar que as entrevistas foram realizadas em novembro de 2010, período em que foram realizadas eleições legislativas nos Estados Unidos.

Do total, 23% confessaram ter tentado convencer algum conhecido a votar em determinado candidato. Apenas 10% disseram ter participado de uma convenção política e 66% relataram que votaram ou tinham intenção de votar nas eleições daquele ano. Nesse quesito, os usuários do Facebook se destacaram, sendo mais propensos a participar de encontros políticos, ao passo que 57% alegaram grande disposição para angariar votos para algum candidato, enquanto 43% estariam dispostos a votar em algum dos candidatos.
O mapa do Facebook

O Facebook anunciou recentemente que a rede atingiu 750 milhões de usuários. Entre os pesquisados, 92% disseram ser usuários da rede, enquanto 29% ainda usam o MySpace, 18% mantêm uma conta no LinkedIn e 13% usam o Twitter para se comunicar com os amigos. Apesar da pequena fatia, 33% dos que acessam o microblog e 52% dos usuários do Facebook frequentam os sites diariamente. Apenas 6% têm essa mesma prática, em relação ao LinkedIn.

Os usuários do Facebook têm uma média de 229 amigos na rede, que representam os mais variados tipos de conhecidos. A análise contabilizou que: desses amigos, 22% são amizades do colégio, 22% são familiares, agregados e vizinhos, 9% vieram da universidade e 10% são colegas de trabalho. A fatia dos amigos que estão apenas no universo virtual, ou seja, que nunca foram vistos ao vivo é de 7%, e 3% são aqueles que se encontraram apenas uma vez.

Os pesquisadores apontaram também que os internautas que frequentam a rede criada por Mark Zuckerberg em 2004 são os que têm mais suporte dos amigos. Foram mapeadas ações de companheirismo, como dar um conselho sobre assuntos pessoais ou de trabalho, apoio quando se está doente ou mesmo ajuda para soluções técnicas.

Fonte: www.nosdacomunicacao.com

Marketing nos céus!!!

Telecine inova em campanha de marketing 

O Telecine se prepara para lançar nos próximos dias uma campanha de marketing bastante original para comunicar a grande estreia da Rede no dia 30 de julho. O canal convida os assinantes a olharem para o céu com atenção na noite de 15 de junho, ocasião em que ocorrerá um eclipse lunar total. Neste dia, logo após o pôr-do-Sol, a Lua nascerá em sua fase cheia já sendo “engolida” pela sombra projetada da Terra. O fenômeno funcionará como o start de uma campanha de marketing do Telecine que ganhará as ruas e a internet e como um preview da tão aguardada estreia do próximo filme da Saga Crepúsculo – Eclipse, que ainda não foi divulgada para a base de assinantes. O canal preparou uma chamada que vai ar a partir de hoje (13/06), convidando os assinantes a olharem para o céu, onde terão uma pista de qual é o filme que vem por aí.

O amarelo lembra que marca?

A COR.

A psicologia desenvolveu diversos estudos nesta área e pode orientar muito o trabalho de comunicação. A cor é um forte elemento utilizado como ícone de marca. Não são muitas as marcas que seguiram por este caminho, ou que conseguiram fixar um elemento simplificador através dela. Um caso de ícone mundialmente conhecido é a cor da KODAK, uma empresa que teve o seu nome registrado em 1888, nos Estados Unidos, por  George Eastman. O amarelo-Kodak, como pode assim ser chamado, foi agregado à marca nos anos 20.

A cor é  um dos mais importantes elementos de persuassão usados pelas marcas. A sua força está no forte apelo psicológico que pode exercer sobre os consumidores. Cada cor tem um simbolismo específico forte para as pessoas, e está relacionada com o comportamento social e de consumo.

No Brasil, outro bom exemplo do mesmo uso do amarelo são as pilhas Ray-o-Vac, as “amarelinhas”, conforme o tratamento publicitário dado. A definição da cor passa por uma série de critérios, que vão desde a faixa etária a que se destina, até o significado sociológico dela. Para os cidadãos do ex-bloco socialista, o vermelho tem um significado diferente daquele que é percebido pela torcida do Flamengo. Como para o partido político que governa o Brasil. Acertar a cor da marca,  é acertar na tendência do segmento.

A cor é muito pesquisada na publicidade nas áreas de embalagens e de produtos aliimentícios. Para cada tipo ade alimento existe uma cor que exerce maior influência no consumidor. Os chocolates traduzem melhor sua mensagem em ambientes de cores marrom, vermelho, alaranjado, ocre, dourado, roxo e azul. No caso do café, as cores melhores são o dourado, o marron e o vermelho. Já os queijos pedem o branco, o azul-claro e o amarelo. Para quem quer precisar se aprofundar no campo do simbolismo das cores, uma boa indicação de literatura é o livro “Psicologia das cores”, do Modesto Farina.

A  Souza Cruz utilizou, desde 1994, muito a composição vermelho-branco na construção de um ícone para os cigarros Carlton. Esta foi uma das mais bonitas campanhas de publicidade feitas para cigarro no Brasil. O trabalho iniciado pela agência DPZ – Duailibi, Petit e Zaragoza –, que tem a conta há muitos anos, teve a determinação da “continuidade”, associando o vermelho à marca Carlton. Agora virou Dunhill, mas mesmo com a pequena divulgação tem um tratamento de cores que lembra o Carlton em termos de conceito gráfico.

Fonte: http://www.adonline.com.br/ad2005/blog/coluna_detalhes.asp?idblog=170

Comunicação, do conceito à ação

Por que insisto em dizer que só se faz comunicação partindo de um conceito, de um centro? Primeiro, porque entendo que, olhando de dentro para fora, tudo fica diferente. Principalmente quando conseguimos, ao olhar para dentro, compreender a demanda de quem está de fora. Será que entregamos o que o mercado precisa? Entendemos do negócio de forma suficiente para atrair e seduzir o cliente? Bem, se conseguirmos transmitir o que vai dentro – seja na vida, seja na organização, tudo, absolutamente tudo fica diferente. Então, como poderíamos estruturar esse olhar visando à construção de marcas fortes, coerentes, consistentes com sua promessa, seu DNA? Vamos imaginar um círculo. No centro o conceito, a visão do empreendedor. Na próxima esfera, a organização com sua visão de futuro e missão bem definidas. Na outra, a cultura organizacional e as pessoas que fazem a empresa, seus valores e crenças. Em uma esfera está o impacto de seus stakeholders e, nas demais esferas, seguindo a mesma sequência, o planejamento estratégico; a marca/ produto/ serviço com sua estratégia de mercado; a seguir a comunicação; e, por fim, uma esfera com os clientes. Olhando sobre esse prisma, fica factível entender que até chegarmos à comunicação, temos todo um caminho a percorrer no entendimento do negócio e no que vislumbrou seu empreendedor. E, se por acaso, decidirmos escolher um atalho e daí iniciar a comunicação com base no que vemos no momento? E se escolhêssemos só olhar para dentro e deixássemos de lado o olhar para o mercado, a definição do público-alvo e de suas necessidades? Provavelmente a estratégia a ser adotada seria rasa. Logo, adeus à alma do negócio e à construção das marcas, produtos: imagem e reputação. Há que respeitar tudo quando o negócio é comunicar. Não é possível fazer um arrumadinho aqui, outro ali e sair por aí inferindo o que poderia ser melhor para a marca. Tampouco contratar ‘n’ terceiros e não transmitir a eles informações básicas como o conceito que deu origem ao negócio, o target, o posicionamento almejado, a essência da marca e todos os insights que contribuem para a sua formação. Trabalhar a comunicação não é para qualquer um. Não é para qualquer profissional. Para isso existem especialistas que sabem exatamente como direcionar o foco e encontrar para a organização o melhor posicionamento. São esses profissionais os responsáveis por salvaguardar a imagem e a reputação da marca ou da organização, de modo a ressaltar sua missão, visão e valores – associadas ao triple botton line da sustentabilidade: sucesso nos níveis econômico, ambiental, e social. Sem isso, bem, sem isso não há comunicação efetiva. Não há campanha que dê suporte ao que se vislumbrou desde o início. E se é assim com grandes marcas, o mesmo deve ser aplicado para empreendimentos de pequeno e médio porte. Uma marca redonda será sempre redonda. Íntegra. Sólida. Uma marca em que cada um coloca a mão e a conduz como bem entende, sem se preocupar com sua história, com seus diferenciais e principalmente com toda a sua entrega, não tem a menor chance de sobreviver num mercado competitivo e global. Mercado este feito por consumidores e clientes cada vez mais ativos e conscientes de seu papel enquanto cidadãos. Comunicar a marca e construir sua imagem é trabalho sério. Demanda foco, atenção, tempo e uma estratégia traçada com visão de curto, médio e longo prazo. Demanda, sim, investimentos e atenção. Sandra Maia é especialista em comunicação e marketing, escritora e colunista. Autora de livros de autoajuda e também de comunicação empresarial. Seu último lançamento é ‘O Negócio da Comunicação’ (Editora Qualitymark, 2011).

FONTE: http://www.nosdacomunicacao.com/panorama_interna.asp?panorama=420&tipo=G

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